Liberdade · Igualdade · Fraternidade
Soberano Capítulo
Renascença
nº 01
Membro do Grande Capítulo Geral do Brasil
Ordens de Sabedoria do Rito Francês
Liberdade Absoluta de Consciência
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Liberdade Absoluta de Consciência
Resgate das Tradições
Por Ir:. Mario Jockymann *
A história do Rito Francês nos mostra sua construção como verdadeira herdeira da Grande Loja de Londres de 1717, já que os Rituais Maçônicos chegam à França através de alguns Irmãos ingleses que resolveram fundar uma Loja em Paris. Houve no decorrer dessa chegada a fundação de uma Grande Loja Inglesa na França sob influência direta dos Irmãos Ingleses, porém a história da evolução maçônica francesa está ligada diretamente à história do Grande Oriente da França, com seus ideais liberais, eles rompem com o regime inglês e decidem manter sua soberania, nascendo assim, uma das mais importantes Obediências Maçônicas da história.

Não caberia aqui expor todos os detalhes dessa história tão conhecida, já que isso daria um livro e seria assim muito mais aprofundado o estudo do que pretendo com este artigo, mas já deve servir de ponto inicial na busca pela informação pelos Irmãos e Irmãs interessados.

No século XVIII a quantidade de Lojas era proporcional a quantidade de variações do ritual em solo francês. Bem em uma época em que o Rito de Heredom contava com seus Altos Graus, existiam diversos Capítulos Rosa-Cruzes espalhados na França, cada um gerindo como quisesse seus membros, porém divididos em regiões, jamais interferindo na soberania do outro. Esse é o conceito que explica o fato de chamarmos de Soberanos os nossos Capítulos.

No final do primeiro convento do Grande Oriente da França foi emitida uma declaração de que a Maçonaria é composta apenas pelos três primeiros graus, ou seja, Aprendiz, Companheiro e Mestre. Esta afirmação mesmo sendo verdadeiramente notória precisou ser exposta, porém desagradou muitos Irmãos que ostentavam diversos títulos de outros Ritos, principalmente de Heredom, então o convento foi reorganizado e decidiram que o Rito Francês teria apenas quatro Ordens de Sabedoria acima do terceiro grau e ainda possuiria mais uma chamada de Vª Ordem que não teria nenhuma interferência administrativa já que as quatro primeiras Ordens seriam geridas pelos Soberanos Capítulos, e estes organizados em um Grande Capítulo Geral afim de que tivessem suas práticas uniformizadas.

Essa Vª Ordem serviria como uma câmara de estudos sobre os Rituais dos mais altos graus de todos os sistemas praticados até então. Também seria organizada no seio do Grande Capítulo Geral, já que seria composta apenas por oitenta e um Irmãos, contemplando todos os Soberanos Capítulos da época.

É preciso entender que o grau de Rosa-Cruz foi o grau terminal de muitos Ritos praticados naquela época, já que inclusive na visão francesa, as Ordens de Sabedoria não conferem nenhum direito novo, senão uma série de novas obrigações.

Assim como tivemos diversas mudanças nos Rituais simbólicos, como a conhecida como Groussier que abole a menção ao Grande Arquiteto do Universo em Lojas de nosso Rito por entender que somente assim teremos realmente o afastamento de todas as superstições e deixamos para o foro íntimo de cada Irmão suas crenças, também tivemos, seja por má tradução, vontade ou livre adaptação, diversas mudanças em nossos rituais.

Apesar de ser uma visão profana, muitos Irmãos não apostaram no Rito Francês por não possuir o famoso e tão desejado grau trinta e três do Rito Escocês Antigo e Aceito. É de presumir que este grau esteja presente nos estudos da Vª Ordem, porém isso não faz com que possa ser ostentado, o que parece causar um certo desconforto em alguns Irmãos...

Inúmeras foram as tentativas de equiparação dos graus franceses com os do REAA, porém não há a possibilidade de comparação direta de algo que não funciona do mesmo jeito. Diferentemente do REAA o Rito Francês funciona através de Ordens e não de graus. Isso não significa que o conhecimento seja diferente, porém existem mudanças na forma de encarar os estudos, principalmente por nossa visão não criacionista sobre a Maçonaria.

Aqui no Brasil resgatamos as tradições francesas das Ordens de Sabedoria, não permitimos os invencionismos e nem as comparações diretas de graus diferentes. Nossos Soberanos Capítulos trabalham sob a égide da Liberdade Absoluta de Consciência, por isso resgatamos não apenas rituais antigos, mas principalmente o espírito antigo de visão de sociedade que vemos, em muitos casos, abandonados pela Maçonaria, deixando-a geralmente estagnada enquanto agente transformadora social, e isto podemos ver no Brasil.

Não pretendemos com esse movimento criticar Obediência A ou B, porém se faz necessário em nossa época uma mudança de conceito e acreditamos que ela seja possível através do Rito mais liberal que é o Rito Francês. Nosso Rito sempre foi o formador de livres pensadores, não que os demais não sejam, mas não possuímos as amarras religiosas ou esotéricas que os demais. O maior exemplo disso é que não condicionamos nossos membros a crerem em uma "imortalidade da alma" e nem em um "ser superior" pois isto é de cunho pessoal e jamais fará diferença na real busca pela verdade.

Para finalizar desejo que este artigo, mesmo que aparentemente ácido para alguns, seja capaz de criar um ponto de questionamento sobre os valores maçônicos, principalmente os brasileiros, que necessitam urgentemente de uma revisão, afinal não podemos manter um visão inglesa/religiosa sobre algo que deve transformar o indivíduo, seja homem ou mulher, seja crente ou não.

* Vª Ordem e Grande Comandante do Soberano Capítulo Renascença (Gestão 2015)

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